Parque Nacional Corcovado, Costa Rica

Quando você costuma viajar, têm experiências que, de outra forma, é possível viver grandes momentos tão intensos que não se esquecem facilmente. Nossa passagem pelo Parque Nacional Corcovado, na Costa Rica foi daqueles momentos viajantes que sempre guardaremos com carinho e emoção, tanto pela grandeza do lugar, como o que sofremos fazendo uma rota senderista de 20 quilômetros em tão duras condições. A floresta e a natureza selvagem não entendem de conforto e não fazem distinção entre seres humanos e animais, mas dá-lhe momentos únicos e imagens inesquecíveis. Assim, se você tem bom fundo físico, você é um amante da natureza selvagem e você tem vontade de aventura, visitar o Parque Nacional de Corcovado é uma experiência que você nunca vai esquecer. Pelo menos para mim me marcou e eu vou tentar porque, hoje, por essa densa floresta, por essas praias selvagens e por esses estreitos caminhos repletos de ruídos perturbadores e animais selvagens. Você Me acompanhá-lo ao Corcovado, um dos lugares com maior biodiversidade do nosso planeta?.

A ideia era clara e a nós tivemos mais que pensada enquanto estávamos em nossa viagem pelo Panamá: cruzar a Costa Rica para fazer alguma boa rota senderista e Corcovado, por sua proximidade com a fronteira do panamá, foi a área escolhida. Sobre a marcha buscamos informações pela internet e enviamos alguns e-mails para contratar algum guia que nos levasse para a floresta durante dois dias e uma noite ( sem guia é impossível). No final decidimos fazê-lo com Sulco Tours Corcovado, entre outras coisas, porque não obtivemos muitas respostas…

O Parque Nacional
Corcovado fica na Península de Osa, no sudoeste da Costa Rica, foi criado em 1975 e tem uma extensão de 45.000 hectares divididos em floresta e praias. A diversidade biológica é tão rica que, acredita-se que em nenhum outro lugar do mundo com esta extensão tem tal diversidade. Em sua floresta tropical úmida, há mais de 140 espécies de mamíferos, entre os quais destacam-se a onça-pintada, a jaguatirica, a onça, o macaco ou o tapir, 500 espécies de árvores, 350 espécies de aves ( papagaios, zopilotes, pelicanos, araras, garças, ibis, corujas….), 100 espécies de répteis como crocodilos ou cobras ( 17 espécies são venenosas aqui), anfíbio de veneno mortal e mais de 5.500 tipos de insetos.
Como chegar ao Corcovado do Panamá
Chegar ao Corcovado, desde o Panamá não é difícil mas se lento e algo entediante, já que há que passar a fronteira de Passo Canoas ( neste post eu expliquei o detalhe) e, em seguida, usar o transporte público. Uma vez travessias da fronteira e pisais solo da costa rica, deve dirigir-se, quer no táxi bem em ônibus até a cidade costeira de Golfito, na província de Puntarenas. E em Golfito, em um primitivo cais, deverá tomar o barco que te leva a Puerto Jiménez, na península de Osa. Existem ferries a Puerto Jimenez a cada hora e o último sai às 16:00. Preço: 3.000 colones, cerca de 5 dólares. A outra opção se não se ama o mar ou te passou o último ferry, é fazer o caminho pela estrada, ao longo da península.
Puerto Jimenez
A pequena população de Puerto Jimenez, com apenas 9.000 habitantes, é o porto de pesca do sul da Costa Rica e o local de entrada a todos os que nos aventuramos a conhecer o Parque Nacional de Corcovado. É por isso que está montado em torno de um típico negócio para o turismo de natureza, com algumas agências onde contratar a visita ao parque, hotéis ecológicos e restaurantes. Mas não há massificação nem parece muito turista por aqui, talvez seja por isso que custa a chegar e há outros parques na Costa Rica, com mais nome.
Nós fizemos a noite na Cabana do Mangue, um hotel eco resort com cabanas no meio da natureza, onde poder ver araras e macacos de vários tipos. A sua tranquilidade, o seu jardim tropical e o bom trato nos encantaram embora as casas, com água e ar quente, são algo básicas. Preço por pessoa: 18 dólares.
Em Puerto Jimenez nos demos um bom mergulho em suas águas temperadas vendo um lindo pôr-do-sol e comemos muito bem no Restaurante Corcovado por 6 euros por pessoa ( arroz com galinha, amêijoas e ceviche incluídos). Pouco mais se pode fazer neste lugar, que é o campo base para explorar Corcovado. Apenas deitar cedo se a emoção te deixa levantam cedo para começar o caminho através da selva.

A experiência
O Caminho que fizemos no Parque Nacional de Corcovado tem cerca de um comprimento de 20 quilômetros, que decorrem em paralelo à costa, o que combina selva e praias em condições muito duras de calor e umidade. No dia anterior tínhamos feito compras para os dois dias que nos esperavam pela selva e as nossas grandes mochilas ficaram no hotel, levando o justo em uma pequena mochila. Acordamos às 4 da manhã já tinha ficado com o nosso guia e nos dirigimos no seu todo-o-terreno até a localidade de Carate ( 1 hora e meia de solavancos e saltos), onde paramos para começar o percurso a pé. Era cedo e o calor já estava notando, avisándonos do que nos esperava. Antes de entrar no parque, no centro Operacional Da Leoa nos inscrevemos no livro de registro no escritório de guardas florestais, lemos alguns painéis informativos, vemos alguns crânios de animais e até como agir se você se encontra cara a cara com um jaguar ( umas instruções que me fizeram pouca graça….).
Começar a andar por um caminho junto à praia é a melhor maneira de iniciar o roteiro e já começamos a ver animais selvagens, como o urubu ( espécie de abutre), o macaco sagui, o mais pequeno da américa central ou araras, objetivo do mercado negro e cujo preço por casal chega a 12.000 dólares. Nos ensina o nosso guia sapo dardo verdinegra, que com 30 gramas de peso tem veneno capaz de matar 10 pessoas adultas. Começamos a ouvir gritos de macacos certamente causados pela presença de algum puma ou onça e isso nos faz estar mais alertas ainda porque só de pensar em ver estes felinos nos emociona. Vamos vendo mais animais, graças à destreza de nosso guia: tamanduás, o sapo golfo dulce, uma das mais letais do planeta, macacos, aranhas, macacos, morcegos, aranhas, ou o quati, o pequeno mamífero onívoros, que costuma ir em pequenos grupos familiares.
Ver tantos animais em tão pouco tempo, tem-nos assombrados e nos deixa às claras a grande quantidade de fauna e flora selvagem que há no parque. De vez em quando o caminho se separa da selva e caminhar na praia, já que é impossível andar por determinados lugares. Nosso guia usa o seu enorme facão para cortar cerca de cocos e bebernos sua água, que falta nos faz. Cada pouco há que parar, porque sudamos de tão bonito, o sol que brilha sem piedade. De volta ao caminho da floresta se nos atravessa uma pequena serpente e nos diz o nosso guia que não nos aconteça agarrarnos a troncos de árvores, pois muitas espécies são arborícolas e costumam estar enroscadas esperando que alguma presa se aproxime ou alguma mão de um incauto visitante.

As marés neste trekking de Carate a Sereia são muito importantes e tem que controlar bem a hora, porque é a única forma de avançar, passando ao pé do mar, quando as ondas vão cedendo. Por certo, uma onda de fúria brutal, o do mar, pelo que se torna impossível dar um mergulho apesar do calor e a vontade que nos entram. Uma espécie de tortura ou pedágio que devemos pagar os que nos aventuramos em estas paisagens selvagens. Continuamos avançando sob um sol de justiça, e se torna eterno quando saímos da selva e andamos pela areia da praia, que é de cartão postal, mas desastrosa para caminhar. Os pés e nos vão doliendo mas tudo se esquece quando você olha ao seu redor.

Fazemos várias paragens para beber e ir repondo forças e apenas vemos um par de pequenos grupos de turistas com seus respectivos guias. A rota segue e as pernas vão sofrem problemas, que, unido ao calor e à umidade constante faz com que o cansaço seja cada vez maior. Nós Cruzamos um rio e até os joelhos de água, volta para a areia da praia, ruídos de macacos, outro rio e pequenos sustos em forma de cobras ou sapos venenosos minúsculas cuja situação foi avisada por outro guia em forma de estaca no caminho. Já vai perguntando ao guia quanto falta para chegar. “É menos”, diz.

Depois de quase 10 horas estamos perto do nosso objetivo, a Estação Florestal da Sereia e o cansaço já é importante. A umidade e o suor estão fazendo estragos em nós, e as pernas estão muito carregadas por isso que o andamento mais lento. Para piorar, há que atravessar rios, onde pode haver crocodilos ou tubarões touro, que pode abranger desde o mar assim que imaginar como levamos a agradável notícia. Não vemos nenhum.
Por fim, sobre as 17 da tarde chegamos à estação Florestal, exaustos e suados, mas felizes pela enorme experiência de ter chutado 20 quilômetros de leste selvagem lugar do planeta. Aqui dormiremos em um alpendre junto com outras 30 pessoas, com colchões no chão e mosquiteiros mais ou menos furadas ( os pulgões essa noite é cebaron comigo). Você também tem a opção de dormir em quartos básicos com camas, mas o preço sobe bastante. Compramos água ao “módico” preço de us $ 4 ( é o único que o vendem, e é um produto de luxo), nos dá uma bendita chuveiro com água fria ( a única que existe), mas talvez a mais desejada de todas que eu já tive na minha vida e nos preparamos para um jantar em um pequeno fogão. Sopa, macarrão com tomate e um pouco de fruta. Estamos com fome, mas não há mais. Sabe-Nos a glória.
Falamos com alguns viajantes, nos conectamos a internet por um tempo ( eu achei incrível e até me cabreé quando soube que tinha acesso à internet no meio da floresta) e a dormir, muito pouco, que, no dia seguinte toca trekking de 4 horas pelos arredores da estação florestal porque a volta a Puerto Jimenez vem com uma surpresa. Os bugios, cuja caixa de re…

Parque Nacional Corcovado, Costa Rica

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